George Blaurock
Mártires

Quando Blaurock iniciava um projeto, ia até ao fim.
Nascido em Bonaduz, nos Grisões, Suíça, Blaurock estudara para o sacerdócio e tinha sido ordenado. Em algum momento antes de 1524, no entanto, abandonou os votos, tomou esposa e juntou-se ao movimento reformador.
George chegou a Zurique nesse ano para ouvir Ulrich Zwingli debater questões doutrinárias essenciais, mas acabou por afastar-se das reformas de Zwingli e aproximar-se de um pequeno grupo de radicais chamados anabatistas. De facto, Blaurock foi quem batizou todos os novos comunicantes, depois de ele próprio ter sido batizado, na célebre primeira reunião dos anabatistas, ou Irmãos, a 21 de janeiro de 1525.
Claro que os problemas viriam. No dia em que Felix Manz foi martirizado, Blaurock, por não ser cidadão de Zurique, apenas foi espancado e expulso. Seguiu para Berna, Biel, os Grisões e Appenzell, sendo em cada lugar preso e banido. Da Suíça partiu para o Tirol, onde assumiu o pastorado de Michael Keurschner, que havia sido queimado na fogueira.
Em agosto de 1529, as autoridades de Innsbruck detiveram Blaurock e deram início a um processo judicial. Os pormenores do julgamento perderam-se, salvo o facto de Blaurock ter sido sujeito a tortura para extrair informação sobre o movimento reformador radical. A 6 de setembro de 1529, ele e o seu colaborador pastoral, Hans Langegger, foram queimados na fogueira.
Uma carta e dois hinos constituem o legado escrito de Blaurock. No hino “Gott, dich will ich loben” escreveu aquilo que viria a ser o seu próprio cântico de triunfo:
«O Teu Espírito me guarde e ensine,
para que, nas grandes aflições,
eu encontre o Teu consolo
e alcance, com coragem,
a vitória neste combate.»