Confiar em Deus atrás das grades
Mártires

O “crime” de Leo foi mandar imprimir vários milhares de Bíblias não registadas, destinadas a ser distribuídas a cristãos na China. A operação de
impressão foi descoberta, juntamente com o nome e o número de telemóvel de Leo. A polícia chinesa fez uma rusga à tipografia no dia anterior ao previsto para o trabalho ficar concluído.
Leo foi detido e levado para um centro de detenção, onde ficou isolado de notícias e de qualquer contacto com o exterior. Não sabia se a sua esposa, Mira, tinha sido implicada na operação, embora, na altura, ela estivesse sobretudo ocupada com a criação dos dois filhos pequenos, em casa. Leo nem sequer sabia se alguém tinha conhecimento de onde ele estava.
Depois de ser formalmente presente a tribunal, Leo instalou-se numa rotina regular no centro de detenção, sobrelotado e sujo. No primeiro julgamento, foi considerado culpado e condenado a três anos de prisão. Seguiram-se então meses de recursos, sempre com contacto muito limitado, até com o seu advogado.
«No meu primeiro mês na prisão, vivi com muita ansiedade», disse Leo, «preocupado com o meu futuro incerto». Mas contou que, durante a oração, sentiu o Senhor a conduzi-lo da ansiedade para a paz. «Mesmo sem saber como Deus me iria usar no futuro, acreditei que Ele me salvaria e me libertaria», afirmou. «Pouco a pouco, o meu coração acalmou.»

O seu advogado disse a Mira que, à medida que a perspetiva de Leo melhorava, ele passava a ter maior impacto nos outros reclusos. «As pessoas reparavam que ele estava em paz, mesmo estando na prisão», disse Mira.
Entretanto, Mira teve de gerir as suas próprias ansiedades, além das dos filhos. «Eu sabia que [as circunstâncias] vinham de Deus, mas, ao início, foi uma verdadeira luta», disse Mira. «Queria que o Leo voltasse depressa para casa. Queixei-me um pouco a Deus por causa disto e desisti um pouco. Mas depois simplesmente percebi que Deus tinha o controlo… e que eu devia fazer o que fosse preciso. Tinha de cuidar dos meus filhos e da minha casa, e por isso acomodei-me a fazer isso.»
Após meses à espera do processo de recurso, a pena de Leo foi reduzida para 10 meses — o tempo que ele já tinha cumprido. Foi também multado em 20 000 CNY (2 800 USD), valor que mais tarde foi reduzido quando o seu advogado argumentou que Leo não tinha ganho dinheiro com a distribuição de Bíblias.
Como o trabalho de ministério de Leo passou a ser alvo de maior escrutínio após a sua libertação, Mira assumiu mais responsabilidades. Agora trabalha com pastores de igrejas locais que identificam crentes específicos com necessidade de Bíblias, e ora para que as milhares de Bíblias disponibilizadas a estes pastores sejam entregues sem serem detetadas.
«Orem para que as igrejas encontrem destinatários corajosos e fiéis e para que a Bíblia chegue a quem realmente precisa», disse ela.
Apesar do preço que a família pagou por imprimir Bíblias, Mira diz que a recompensa foi maior do que o custo. «Na verdade, aquilo por que a minha família passou é muito comum», disse, «e ler, aprender e viver a Palavra é muito mais importante na nossa vida. Só quero que o maior número possível de pessoas tenha uma Bíblia para ler.»