Quando a fé vira “crime”: a detenção de Han Xiaodong
China


A Xixi não vê o pai, o pastor Han Xiaodong, desde que ele foi detido em agosto de 2022. Tinha acabado de fazer cinco anos e, desde então, ela e os dois irmãos mais novos têm medo de dormir na própria cama. Disse à mãe, Chen Ying, que decidiu deixar o cabelo crescer para que, um dia, possa usar a trança para ajudar o pai a fugir da prisão.
Han Xiaodong era um respeitado professor de Informática na Escola Secundária n.º 1 de Linfen, mas em 2019 deixou o emprego para se dedicar a tempo inteiro ao pastorado, precisamente quando o governo chinês intensificou a repressão às igrejas domésticas em todo o país.
O pastor Li Jie foi detido e preso em agosto de 2022, juntamente com o pastor Han Xiaodong e o líder da igreja Wang Qiang. Os três são dirigentes da Linfen Covenant House Church, uma igreja que se recusa a aderir à única igreja permitida e controlada pelo Estado na China, a Igreja das Três Autonomias.
O que aconteceu antes
Os pastores assinaram a “Declaração em defesa da fé cristã”. O documento denuncia os abusos do governo chinês contra cristãos e igrejas domésticas e afirma que os cristãos chineses não são inimigos do Estado, mas pretendem obedecer às autoridades sempre que possível. A declaração defende também a separação entre Igreja e Estado.
Depois de assinarem, ambos foram chamados várias vezes à polícia local para “uma conversa”. Disseram-lhes que teriam de ser transferidos para outro distrito, para deixarem de ser pastores da sua igreja. A polícia entrou também na escola da igreja.

Quando a igreja realizou, a 19 de agosto, um acampamento familiar com actividades ao ar livre, a polícia interveio e deteve o pastor Han Xiaodong, o pastor Li Jie, o líder Wang Qiang e vários membros da comunidade, sob acusação de “fraude”, entre outras. Os três líderes ficaram inicialmente num local onde foram torturados e onde a polícia tentou forçar confissões falsas. Mais tarde, foram transferidos para o centro de detenção. Wang já foi libertado.
Han e Li continuam detidos sem que tenha havido julgamento oficial. Permanecem presos apesar de tal não ser permitido pela lei chinesa. A esposa de Han, Chen Ying, juntamente com a esposa de Li e Wang, tem trabalhado pela libertação dos maridos.